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O que fazer em uma crise de ansiedade: técnicas de alívio imediato
Por Psicóloga Taiane Landgraf · CRP 06/231107 · Publicado em junho de 2026
Uma crise de ansiedade pode ser assustadora: coração acelerado, falta de ar, sensação de que algo muito ruim está prestes a acontecer. O primeiro ponto importante: crises são desconfortáveis, mas não são perigosas, e existem técnicas concretas — usadas dentro da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) — que ajudam a atravessar esses momentos com mais segurança.
Por que a crise acontece
Numa crise, o corpo entra em modo de luta ou fuga: o sistema nervoso interpreta algo (interno ou externo) como uma ameaça e dispara uma resposta intensa, mesmo quando não há perigo real. Entender isso já ajuda — você não está "enlouquecendo" nem tendo um problema cardíaco; seu corpo está reagindo de forma exagerada a um alarme que disparou no momento errado.
Técnica 1: Grounding 5-4-3-2-1
Essa técnica de ancoragem traz a atenção para o presente, usando os cinco sentidos. Em ordem, identifique:
5 coisas que você consegue VER ao seu redor — um quadro, um copo, a textura de uma parede. Olhe com calma para cada uma.
4 coisas que você consegue TOCAR — a textura da roupa, a temperatura do chão sob os pés, a superfície da mesa.
3 sons que você consegue OUVIR — o ventilador, um carro passando, sua própria respiração.
2 cheiros que você consegue SENTIR — café, perfume, ar fresco. Se não houver cheiros disponíveis, pense em dois cheiros que você gosta.
1 sabor — pode ser um gole de água, uma bala, ou apenas o gosto presente na boca.
O objetivo não é se distrair — é trazer a mente de volta para o corpo e para o agora, interrompendo a espiral de pensamentos catastróficos.
Técnica 2: Respiração diafragmática
Na crise, a respiração tende a ficar curta e superficial, o que mantém o sistema nervoso em alerta. A respiração diafragmática ativa a parte do sistema nervoso responsável por acalmar o corpo.
Como praticar: coloque uma mão sobre o peito e outra sobre a barriga. Inspire pelo nariz por 4 segundos, sentindo a barriga subir (não o peito). Segure por 2 segundos. Expire lentamente pela boca por 6 segundos, esvaziando a barriga. Repita por 3 a 5 minutos, sem pressa.
Expirar mais devagar do que inspirar é o que mais ajuda: é nessa parte do ciclo respiratório que o corpo recebe o sinal de que pode sair do estado de alerta.
O que evitar durante a crise
Não tente "se forçar a parar" — quanto mais você luta contra a sensação, mais ela tende a se intensificar. Reconheça: "isso é uma crise de ansiedade, vai passar". Evite também consumir café, ficar olhando notícias ou redes sociais, ou tentar resolver problemas grandes naquele momento.
Depois que a crise passa
Crises costumam atingir um pico em torno de 10 a 15 minutos e depois começam a ceder. Quando passar, beba água, descanse e, se possível, anote: o que estava acontecendo antes, quais sensações apareceram primeiro, o que ajudou. Esse registro é valioso quando o tema entra em terapia — ajuda a entender os gatilhos e construir estratégias mais personalizadas para cada pessoa.
Quando buscar ajuda profissional
Crises pontuais podem acontecer em momentos de muita pressão. Mas se as crises estão se repetindo, se você passou a evitar lugares ou situações com medo de uma nova crise, ou se a ansiedade está afetando seu sono, trabalho ou relacionamentos, é hora de buscar acompanhamento. A TCC tem ferramentas específicas para trabalhar transtornos de ansiedade — não só para reduzir a frequência das crises, mas para devolver a sensação de segurança no dia a dia.
Quer entender como a TCC trabalha a ansiedade no longo prazo? → Como trabalhamos juntas